Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre
     
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CURSO SOBRE FILMES DE HORROR NO FANTASPOA

Tudo sobre o medo nas telas de cinema

As histórias de horror vêm tirando o sono de muita gente há cerca de dois séculos e meio, desde os primórdios do gênero, surgido com a gênese da literatura gótica inglesa, até a recente safra de filmes assustadores que inundam cinemas, videolocadoras, televisão e internet. Essas obras têm em comum a capacidade de provocar as reações mais extremas, tornando o horror um gênero polêmico, ao mesmo tempo em que é o que mais cresceu ao longo do tempo. Se há aqueles que não hesitam em dizer o quanto detestam livros e filmes de terror, há também legiões de aficionados pelo gênero. E não se trata apenas de espectadores em busca de alguns sustos e nenhuma complexidade; muito pelo contrário: o horror, a ficção sobrenatural e o fantástico têm sido objetos de análises e pesquisas de diversos acadêmicos, inclusive no Brasil, ao mesmo tempo em que festivais temáticos e publicações dedicadas ao assunto tentam acompanhar a quase que inacreditável proliferação de realizações no gênero, vindas rigorosamente de toda parte do mundo.

Não é exagero afirmar que nenhum gênero atualmente é tão popular quanto o horror, que desdobra-se nos mais variados estilos: há o horror de aventura, o horror cômico, o horror dramático; exemplares existem desde os mais inofensivos até os mais perturbadores. Há tanto o horror satânico quanto o horror cristão, o que mostra que não há barreiras para se contar uma história assustadora. Diante do incontestável apelo do tema às mais diferentes platéias, a questão que sempre se levanta é por que alguém se sujeitaria a sentir medo voluntariamente; mais ainda, como alguém é capaz de extrair prazer em tal experiência?

Esta é apenas uma das questões abordadas no curso A História do Cinema de Horror, ministrado durante o V Fantaspoa pelo jornalista Carlos Primati, pesquisador que se dedica a estudar o tema há mais de quinze anos. O medo é o mais primário de todos os sentimentos; justamente por isso, é também o de linguagem mais universal: exige-se pouco – quase nada – de tradução e adaptação para que uma cena de susto funcione para diferentes platéias (o que também explica o imenso sucesso no Ocidente de filmes vindos de países como Tailândia, Coréia, Japão etc.). O aspecto universal do filme de horror é outro dos temas abordados no curso, que comentará obras realizadas nos mais diferentes países, incluindo França, Espanha, Itália, Alemanha, Turquia, Japão, Austrália, Nova Zelândia, Argentina, Brasil, Chile, Colômbia e muitos outros, além da rica filmografia de Estados Unidos e Inglaterra.

O berço do horror
O horror como gênero teve início na literatura, com obras como O Castelo de Otranto (1764), de Horace Walpole, e O Monge (1796), de Matthew Gregory Lewis, tidos como os primeiros exemplares importantes da escola gótica. Desde então, o gênero vem cumprindo seu objetivo de chocar o espectador, criando um mundo imaginário todo particular, no qual o sobrenatural e o mundano dividem o mesmo espaço. Se compararmos as narrativas românticas clássicas – como, por exemplo, Frankenstein (1818), de Mary Shelley – com os filmes de hoje em dia, em especial os mais extremos, como Jogos Mortais e O Albergue, podemos considerar ingênuos os pioneiros do horror. Porém, este é precisamente a essência do gênero: tentar sempre ultrapassar limites e imaginar novas maneiras de provocar repulsa, aflição, pânico; enfim, causar pesadelos e permanecer no imaginário do espectador mesmo dias depois de ele ter visto o filme.

Ainda que sofra preconceito em determinados círculos até os dias de hoje, o cinema de horror já comprovou seguidas vezes tanto seu valor artístico quanto comercial. Cineastas de respeito, como Fritz Lang, Alfred Hitchcock, Orson Welles, Roman Polanski, Ingmar Bergman, Martin Scorsese, Francis Ford Coppola, Stanley Kubrick e tantos outros deram valiosas contribuições ao gênero. Diretores do calibre de Steven Spielberg, Peter Jackson, Sam Raimi, M. Night Shyamalan devem grande parte de sua fama aos filmes de horror quer realizaram, assim como artistas contemporâneos, destacando Danny Boyle, Guillermo del Toro e Tim Burton. Artistas dedicados quase que exclusivamente ao horror, incluindo os italianos Mario Bava, Lucio Fulci e Dario Argento, contribuiram significativamente com o gênero ao ampliar suas possibilidades psicológicas misturando sexo e morte em suas narrativas. Mesmo a América Latina – contando, por exemplo, com o ator e diretor brasileiro José Mojica Marins, o astro argentino Narciso Ibañez Menta e o prolífico produtor mexicano Rene Cardona – também deixou sua marca bem pessoal no horror.

Carlos Primati, responsável pelo levantamento definitivo da obra de José Mojica Marins, co-produziu um box com seis DVDs do cineasta, além de ter contribuído com o livro-catálogo sobre o diretor, organizado pela Heco Produções. O jornalista é colaborador frequente de publicações dedicadas ao horror, escrevendo para revistas como Cine Monstro e Dark Side DVD, das quais foi também editor, e ainda para o Livro do Horror, da editora Conrad. No momento organiza uma grande enciclopédia de filmes de horror, com intenção de lançamento para o ano que vem.

O curso desenvolvido por Primati foi apresentado com muito sucesso em Fortaleza, no Ceará, em agosto de 2008, dentro do projeto Maratona de Cinema, simultaneamente com uma mostra de filmes raros de horror e de uma sessão especial dos Filmes Malditos da Meia-Noite, evento realizado mensalmente no Cine São Luiz.

Com duração total de dezesseis horas, o curso A História do Cinema de Horror, será ministrado na capital gaúcha em dois finais de semana (11, 12, 18 e 19 de julho), com aulas das 10 horas da manhã às 15 horas, na sala CineBancários, incluindo intervalo para o almoço. Os alunos receberão uma apostila de 40 páginas, preparada por Carlos Primati assim como dois dvds. O curso terá um custo de R$100,00 (cem reais) e as inscrições podem ser feitas pelo e-mail fantaspoa@fantaspoa.com ou pelo telefone (51)84362968.

Cronologia
Os interessados tanto em filmes de horror quanto na história do cinema poderão acompanhar a cronologia das produções no gênero desde os primórdios, com os experimentos do francês Georges Méliès com o cinematógrafo, passando pelos delírios pesadelares do Expressionismo Alemão, chegando ao ciclo de monstros dos estúdios da Universal e além. Também merece especial atenção o chamado “horror moderno”, surgido em fins dos anos 1950 com as produções coloridas da produtora britânica Hammer, ao mesmo tempo em que Hitchcock realizava Psicose, no qual o medo não surge de um ser sobrenatural, mas sim do próprio homem. Obras como O Bebê de Rosemary, A Noite dos Mortos Vivos, O Exorcista, O Massacre da Serra Elétrica, O Silêncio dos Inocentes e tantas outras garantem a qualidade de um gênero inquieto e sempre em constante evolução.

Refilmagens recentes de sucessos asiáticos (Japão, Coréia, Tailândia), do cinema hispânico ([Rec], transformado em Quarentena) e dos próprios clássicos estadunidenses, como O Massacre da Serra Elétrica, Terror em Amityville, Sexta-Feira 13, Halloween e dezenas de outros, atesta não somente o apelo constante desse gênero a um público que não mais pode ser considerado segmentado. Acima de tudo, também demonstra que, mais do que qualquer outra manifestação artística, o cinema de horror não enxerga fronteiras geográficas, culturais ou linguísticas.

O sucesso de eventos dedicados ao gênero, como o Fantaspoa, que chega em 2009 à sua quinta edição, é outra prova da popularidade dos filmes de horror, assim como a proliferação de sites e comunidades na internet dedicados a discutir o assunto e trocar informações sobre filmes, realizadores e personagens. A sede por conhecimento e por ter acesso a novos títulos é ainda maior do que a capacidade que as distribuidoras nacionais têm para abastecer o mercado, originando esforços comunitários para que títulos até então inéditos no país sejam compartilhados no espaço virtual, inclusive com traduções de legendas. Tudo isso serve para comprovar que o horror tem seu espaço devidamente conquistado, alimentando-se da peculiaridade humana de sentir medo do desconhecido - e do desejo de enfrentar seus maiores temores projetados metaforicamente na tela de cinema.

Carlos Primati
é colaborador regular de diversos veículos períodicos, escrevendo textos sobre cinema, televisão, música, videogames e quadrinhos:

JORNAIS: O Estado de S.Paulo (Caderno 2, Zap!), Folha de S.Paulo (Folhateen) e Jornal da Tarde (série de artigos sobre o centenário do cinema)

REVISTAS
Set, Bizz, Monet, General, Herói, Mundo Estranho (Superinteressante), Flashback, Conecta, Players, Pipoca Moderna

Colaborador em livros:
Maldito (livro sobre a vida e o cinema de José Mojica Marins, o Zé do Caixão, como pesquisador da obra); José Mojica Marins - 50 Anos de Carreira (livro-catálogo sobre a vida e o cinema de José Mojica Marins, como articulista e pesquisador da obra)

Colaborador em enciclopédias e guias temáticos:
A História do Rock (enciclopédia editada pela Bizz); A História do Rock Brasileiro (enciclopédia editada pela Bizz); O Livro do Horror (guia editado pela Herói); O Super Livro dos Filmes de Ficção Científica (enciclopédia editada pela Superinteressante); Almanaque Top 10 (enciclopédia editada pela Mundo Estranho);

Editor de projetos especiais:
Séries de TV (livro da coleção Mundo Estranho Apresenta, da Editora Abril); Set - Os Melhores Vídeos (guia anual da Set); Voivode (livro sobre vampiros lançado pela editora Pandemonium, como editor e colaborador).

Editor de revistas especializadas em cinema:
Cine Monstro (revista especializada em filmes de horror); Dark Side (revista especializada em filmes de horror); West Side (revista especializada em filmes de faroeste); DVD Total (revistas com DVD, sobre os mais diversos temas, incluindo musicais e cinema); Showtime (coleções de revistas e DVDs temáticos, incluindo obras de Charles Chaplin, Laurel & Hardy, Roy Rogers, John Wayne, Mazzaropi etc.)

Produtor da Coleção Zé do Caixão em DVD, vencedor do 1º Prêmio DVD Brasil como “melhor coleção do ano”
Coordenador do selo Dark Side, especializado em filmes de horror, mistério e ficção científica
Programador do canal Dark Side TV, dedicado aos filmes de horror, mistério e ficção científica

Professor de cinema:
Organizador e professor dos cursos “O Cinema de Alfred Hitchcock” e “A História do Cinema de Horror”, realizados no SESC Iracena, em Fortaleza (Ceará) em agosto de 2008
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