Atividades Paralelas | Horror no Cinema Brasileiro »
   
 

A sexta edição do Fantaspoa (Festival Internacional de Cinema Fantástico de Porto Alegre) apresenta entre suas atividades paralelas dois cursos de cinema direcionados ao público interessado em conhecer mais profundamente os gêneros mais populares da sétima arte. Dando continuidade ao sucesso do curso A História do Cinema de Horror, ministrado pelo jornalista, pesquisador e crítico Carlos Primati na edição passada do festival, o evento deste ano oferece os cursos O Horror no Cinema Brasileiro e A Ficção Científica da Década de 1950, totalizando 8 horas de curso cada um. O primeiro acontecerá nos dias 10 e 11 de julho, e o segundo no final de semana seguinte, dias 17 e 18, ambos ministrados por Primati, que desenvolveu material inédito e exclusivo para apresentar no Fantaspoa. O segundo curso, que apresentará a gênese da ficção científica com um panorama do gênero em sua década mais produtiva, contará com a participação de Marcelo Severo, especialista no tema que já colaborou em outras edições do festival.

Os cursos irão ocorrer na Sala P.F. Gastal da Usina do Gasômetro, das 10:00 às 14:40, com 40 minutos de intervalo para almoço, nos dias 10, 11, 17 e 18 de julho. O valor individual de cada curso é R$ 60,00. Caso o interessado queira fazer os 2 cursos, o valor total é de R$110,00. Para informações sobre como realizar sua inscrição, entre em contato pelo e-mail nicolas@fantaspoa.com.

Horror no Cinema Brasileiro

“Como assim, ‘horror’ no cinema brasileiro?”, muitos devem estar perguntando. Afinal de contas, pouco se fala em cinema brasileiro de horror além da obra de José Mojica Marins, o Zé do Caixão. Não obstante ser um assunto pouco discutido e quase nada divulgado, o filme brasileiro de horror de fato existe, e em grande quantidade e mesmo qualidade suficiente para que mereça ser tratado como um tema à parte. Primati, responsável pela idealização da mostra de filmes O Horror no Cinema Brasileiro, realizada pela Heco Produções, de São Paulo, e apresentada em Brasília e no Rio de Janeiro em 2009 e 2010, compilou todo o material de pesquisa que levantou ao longo dos últimos anos e desenvolveu este curso, que será apresentado de maneira inédita no Fantaspoa.

Os quase 200 longas profissionais com elementos de horror realizados no Brasil, todos cuidadosamente catalogados na pesquisa, traçam a fascinante trajetória do tema pelo cinema nacional, começando pelas comédias assombradas, como O Jovem Tataravô (1936) e Fantasma por Acaso (1946), e seguindo por praticamente todas as fases do cinema brasileiro, passando pela prolífica era dos grandes estúdios (em filmes como Caiçara, Meu Destino É Pecar e Veneno) e contaminando até mesmo o engajado Cinema Novo, como no caso do místico e misterioso Pecado na Sacristia (1975). Lendas populares e personagens de nosso rico folclore também chegaram às telas com sombras horroríficas, incluindo o saci, o caipora, a mula-sem-cabeça e diversos lobisomens.

O impacto - inclusive internacional - do cinema ousado e destemido de Mojica, com seu ímpio e sádico personagem Zé do Caixão, refletiu nas significativas bilheterias de filmes como À Meia-Noite Levarei Sua Alma (1964) e Esta Noite Encarnarei no Teu Cadaver (1967) e influenciou outras gerações de realizadores a trilhar o caminho do cinema revoltado e inquieto. O experimentalismo udigrúdi de Rogério Sganzerla, Júlio Bressane e Elyseu Visconti Cavalleiro em várias ocasiões recriou à sua própria maneira situações e elementos típicos dos filmes de horror.

A pluralidade religiosa do Brasil, talvez o país mais místico do mundo, também reflete em inusitados exemplares vinculados ao horror. Entidades sobrenaturais do candomblé e da macumba se manifestam em obras como As Noites de Iemanjá e A Força de Xangô, enquanto que o espiritismo kardecista mostra seu lado apavorante nos filmes Joelma, 23º Andar e O Médium: A Verdade Sobre a Reencarnação. Até mesmo o popular cômico Mazzaropi abordou a confusão religiosa típica do brasileiro em comédias como O Jeca Macumbeiro e O Jeca e a Égua Milagrosa, nos quais reflete de maneira simplória, porém sincera, sobre temas como fé, charlatanismo, morte e reencarnação.

Cineastas que dedicaram parte representativa de suas carreiras na elaboração de filmes de horror têm destaque especial no curso, como no caso de Walter Hugo Khouri, autor de obras densas como Estranho Encontro (1958), O Anjo da Noite (1974) e As Filhas do Fogo (1979). O argentino Carlos Hugo Christensen, que teve produção prolífica em toda a América do Sul e se radicou no Brasil na segunda metade de sua carreira, também contribuiu com o imaginário do horror nacional em filmes como Enigma para Demônios (1975) e A Mulher do Desejo (A Casa das Sombras) (1977). A ‘Boca do Lixo’ paulistana também é devidamente representada pelos surpreendentes filmes de erotismo mórbido de Jean Garrett, como Excitação (1977), Mulher, Mulher (1979) e A Força dos Sentidos (1980), os quais, a despeito dos títulos genéricos, são hipnotizantes mergulhos no universo fantástico. As obras de John Doo, David Cardoso, Ody Fraga e Fauzi Mansur, com sua acintosa sexualidade combinada com cenas violentas, grotescas e macabras, também serão devidamente abordadas ao longo do curso.

O ‘terrir’ de Ivan Cardoso, dramatizações sobre assassinos psicopatas (incluindo o raro O Maníaco do Parque) e produções de sexo explícito com vampiros, demônios e fantasmas dividem espaço na discussão com realizações recentes, tão díspares quanto os alegóricos O Coronel e o Lobisomem e O Homem Que Desafiou o Diabo, os surreais O Fim da Picada e Mistéryos e o experimental FilmeFobia, todos contribuindo à sua maneira particular com o imaginário do filme brasileiro de horror. O curso se encerra promovendo uma discussão sobre o futuro do gênero no cinema brasileiro, que vê surgir uma promissora geração de novos realizadores independentes, incluindo o capixaba Rodrigo Aragão (Fábulas Negras), o catarinense Petter Baiestorf (Canibal Filmes) e o paulistano Fernando Rick (Black Vomit), além de curtametragistas que tentam seguir os passos de seus ídolos para levar às telas suas próprias visões do horror cinematográfico.

PROGRAMA COMPLETO:

AULA 1 – 10 de julho

1.1. Como assim, “horror no cinema brasileiro”?!
1.2. Chanchadas do além: O Jovem Tataravô e outros fantasmas
1.3. A era dourada dos estúdios: melodramas góticos e co-produções
1.4. Lendas e folclore: saci, caipora, mula-sem-cabeça e lobisomem
1.5. Zé do Caixão: terror e sadismo nacional sem fronteiras
1.6. Experimentalismo udigrúdi: Sganzerla, Bressane e Visconti
1.7. O misticismo caboclo das comédias de Mazzaropi
1.8. Iemanjá, Iansã, Xangô: temores do candomblé e da macumba
1.9. Espíritos inquietos: o vazio existencial de Walter Hugo Khouri
1.10. Possuído pelo mal: o medo barroco de Carlos Hugo Christensen

AULA 2 – 11 de julho

2.1. Erotismo e morte à beira-mar: a poesia mórbida de Jean Garrett
2.2. Sexploração: John Doo, David Cardoso e Ody Fraga
2.3. Aos pedaços: o horror verídico dos assassinos psicopatas
2.4. Sangue e pornografia: o sexo explícito de meter medo
2.5. O horror espírita: Joelma, O Médium e outras reencarnações
2.6. Terrir: os monstros irreverentes de Ivan Cardoso
2.7. Medo e violência for export: os excessos de Fauzi Mansur
2.8. Espectros do horror no ‘cinema da retomada’
2.9. Teratologia disforme: monstruosidades da década de 2000
2.10. As produções independentes e o futuro do gênero

 

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